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quarta-feira, 27 de julho de 2011

NÃO DEIXE A ANSIEDADE TOMAR CONTA DE VOCÊ



Imagine que, neste exato momento, seus amigos postam mensagens no Facebook, a übermodel Gisele Bündchen exibe o corpão esculpido pós-gravidez num outdoor de lingerie, seu marido chega em casa certo de que haverá jantar, sua filha faz aula de balé, seu chefe espera o projeto que você prometeu entregar na quarta-feira, sua grife dos sonhos lança uma coleção exclusiva naquele magazine do shopping. Cada um desses fatos (que são apenas uma parte do que acontece o tempo todo na sua vida) inunda sua mente com pensamentos, preocupações, cobranças, desejos: “Ainda nem tenho um perfil no Facebook!”, “Pre-ci-so me matricular na academia”, “Esqueci de ir ao supermercado...”, “Daqui a 20 minutos saio para pegar a pequena no balé”, “Não posso atrasar o projeto”, “Tenho de renovar meu guarda-roupa já”. Tudo isso “ao mesmo tempo agora” gera ansiedade. “Hoje somos excessivamente estimuladas com demandas. Se não tomarmos cuidado, acabamos espremidas feito laranja”, alerta a psicoterapeuta Isabel Labate, professora da PUC-São Paulo. É fácil saber se você está chegando a esse estágio. “O desempenho das tarefas cotidianas, o bem-estar, o trabalho, as relações sociais – tudo fica comprometido”, aponta o psiquiatra Luiz Vicente Figueira de Mello, supervisor do Programa de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP. Também gera sintomas físicos – insônia, palpitações, medos exagerados, tontura, falta de ar –, comportamentais (como o isolamento) e doenças como depressão e distúrbios cardiovasculares. Antes de atingir esse ponto (ou até para sair desse estado), conheça os novos estopins da ansiedade e o que é possível fazer para não se deixar paralisar por ela.



5 gatilhos da ansiedade

Já leu Água para Elefantes?
Não? Sabia que esse livro é um dos mais vendidos hoje? Se já começou a pensar num jeito de incluir essa leitura “obrigatória” na sua vida, bem-vinda ao time. Você experimentou uma ansiedade comum nos tempos atuais, causada pela grande quantidade de informação a que temos acesso. É só pensar no mundo de páginas disponível a cada busca no Google, juntar as redes sociais e multiplicar por livros, jornais, TV... Essa overdose deixa a sensação de ser a última a saber de tudo. A psicoterapeuta Irene Cardotti, especialista em bioenergética, observa: “Você se interessa por um assunto, mas se dispersa com outro mais atraente. Começa, mas não termina nada. Isso traz ansiedade. A gente vai querendo encaixar tudo na agenda. O dia nunca fecha”.



Eu pre-ci-so daquela bolsa

Em todo lugar, há códigos dizendo “Isso é bacana” ou “Isso não é bacana”. Quem não tem a bolsa, o corpo, a idade do momento está fora do jogo. De onde vem a necessidade de se enquadrar? Das ameaças sob as quais vivemos. “Há o perigo de envelhecer, da fila no hospital, da favela, do abandono, do câncer...”, enumera Regina Favre, filósofa e criadora do Laboratório do Processo Formativo, em São Paulo. A ilusão é a de que, ao ter coisas que prometem felicidade, ficamos blindadas. “Você vê um anúncio de um seguro de vida com uma família linda e feliz. Compra esse seguro e vai estar livre daqueles medos”, exemplifica Regina. “Só que, no mesmo minuto, a ansiedade volta, porque você é bombardeada por outras dezenas de estímulos. Esse é o mecanismo do mundo hoje”, acredita a filósofa.

Tenho de perder 3 quilos

Olhar para o espelho e não gostar do que vê é outra causa da inquietude. Vivemos atrás de perder aqueles 4 centímetros de quadril, as gordurinhas na cintura... Escondida na vontade de se encaixar num estereótipo de beleza está a crença de que ele dá acesso a um mundo mais glamouroso. “O padrão desejado pelas mulheres tem sido construído por meio de imagens das atrizes, modelos e cantoras que se consagraram e conquistaram status de celebridade”, explica a antropóloga Mirian Goldenberg e autora de Toda Mulher É Meio Leila Diniz (Bestbolso). Em uma pesquisa, Mirian constatou que mesmo as brasileiras realizadas profissionalmente, com independência financeira, bom nível de escolaridade, liberdade na vida afetiva e sexual vivem preocupadas com doenças, excesso de peso, têm vergonha do corpo, medo da solidão e a sensação de ser invisíveis, sem importância. “Ver a perfeição apenas naquilo que não se tem ou no que os outros têm só causa insatisfação”, afirma Mirian.

Alguém decide por mim?

Você se conscientiza de que tudo o que quer realizar não cabe no seu dia. Começa a fazer escolhas e então... depara-se com outra questão: a de fazer a escolha certa. A ansiedade ataca de novo. Afinal, optar significa abrir mão de A em favor de B. Por exemplo: deixar de trabalhar para se dedicar à educação dos filhos ou vice-versa. Dar esse passo sem sofrer tem sido um desafio, porque é difícil se permitir errar. Sempre nos cobramos ser infalíveis. “A ansiedade tem a ver com a dificuldade de lidar com a própria frustração”, observa Dulce Critelli, terapeuta existencial e coordenadora do Existentia – Centro de Orientação e Estudos da Condição Humana, em São Paulo.



Quero ser Angelina Jolie

Ninguém melhor do que a mulher de Brad Pitt para personificar nossos desejos de realização: ser mãe, mulher, rica, solidária, bem-sucedida. Por que vivemos loucas para cumprir os itens desse check list? “A velocidade das coisas, o sobe e desce do dinheiro e das posições sociais, isso tudo é muito maior hoje. Isso acelera a voracidade de cada um. Queremos ser aquilo que dá reconhecimento”, explica Regina Favre. Quando você não dá conta, vem aquela conhecida sensação de não ser boa o suficiente, mesmo sabendo que ter um alto desempenho em todos os setores da vida demanda tempo e esforço. Não por acaso, muitas de nós passam noites em claro sem desligar. “A insônia é sinal do transbordamento do que não cabe no dia”, diz Regina.


3 atitudes que soltam a trava

Ser autêntica

Olhar para si mesma e decidir o que realmente importa na sua vida. Desligar-se do corpo da top model, da carreira de sucesso da amiga, dos blogs que não teve tempo de visitar. “Para entrar em contato com sua essência e descobrir o que faz você ser única, autêntica, fique um momento em silêncio”, ensina a psicoterapeuta Isabel Labate. “Só parando é que você perceberá por que está perdida. E tem a chance de desacelerar. Ao parar, você cria respostas mais adequadas às situações”, ensina Regina Frave.

Agir hoje e já

Quando você tem milhares de missões (aquela lista de “tem quês”), procure não focar na dificuldade que será dar conta de tudo. Comece a agir. “Quando vivemos o presente, não pensamos nas aflições e mágoas do passado e minimizamos a ansiedade pelo que vai acontecer no futuro”, diz Márcia De Luca, autora do livro Ayurveda – A Cultura de Bem-Viver (Editora de Cultura). Como fazer isso? Focando em uma atividade de cada vez. Quando escovar os dentes, simplesmente escove os dentes; quando lavar louça, simplesmente lave a louça. Caso a mente se disperse, devolva o foco para aquela ação. É um treino. E como fica o futuro? Márcia sugere fazer uma lista de metas, com detalhes, escrevendo todas as ações como se já tivessem acontecido e acreditando que isso seja possível. Depois, desligue-se dela e volte ao que deve fazer já. “Se não vivermos o presente, a vida deixará de ser uma aventura e será apenas uma necessidade obsessiva de chegar a algum lugar ou fazer algo”, diz o conselheiro espiritual Eckhart Tolle, no livro O Poder do Agora (Sextante).



Descontrole do bem

Descentralizar sua vida e permitir que o marido, a babá, a colega do trabalho a substituam aqui e ali ajuda a descarregar o peso. “Achar que tem o controle da situação é ilusão”, avisa Bernard Rangé, professor de psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “O controlador fica em vigilância, gasta energia e pode cair em exaustão.” Não se trata de jogar tudo para o alto. Pense em uma viagem. Você compra passagem, reserva hotel, organiza passeios. No meio dela, porém, pode ficar doente. O desafio é exercitar a flexibilidade para acomodar imprevistos.


DAQUI!


3 comentários:

Meire disse...

Sônia querida, a ansiedade é o mal do século. Temos que tomar cuidado para não querer viver num momento só tudo o que é pra viver numa vida, pois assim acabamos deixando de dar a atenção necessária ao que estamos fazendo.

bjokitas com carinho :)

LUCONI disse...

Ansiedade não é nada bom, e ainda periga de você ter picos de ansiedade e depois cair em depressão no vazio, muito bom este artigo, beijos Luconi

Drica disse...

Eu já sofri desse mal e foi uma fase horrivel na minha vida e da minha familia. Hoje luto para não mais cair nessa armadilha.Esse artigo é muito esclarecedor.Fica com Deus.

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