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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sobre o Natal

Tradições natalinas

Como em qualquer tradição religiosa ou familiar, as comemorações do Natal foram passadas de geração em geração por narrativas, pela transmissão de lendas e por valores espirituais. Mais importante foi o fato dessas tradições se perenizarem em contextos próprios com elementos comuns: em geral, realiza-se uma ceia de Natal à meia noite do dia 24 de dezembro, enquanto se espera o Papai Noel, que visita as casas entregando presentes às pessoas, principalmente às crianças.

 Cleiton Thiele/PressPhoto
Árvore de Natal montada em Gramado

Árvore de Natal

Tão forte quanto esses elementos é a tradição da árvore de Natal, normalmente uma conífera, de folhas perenes, enfeitada com bolas coloridas e adornos específicos em cada país. A maioria das versões sobre a origem da árvore é creditada à Alemanha e, especificamente ao episódio de Martinho Lutero, no século 16: olhando para o céu através de pinheiros, o protestante viu estrelas como um colar em cima das copas e decidiu levar um galho para plantar em casa. Colocou-o num vaso, com pequenas velas nas pontas dos ramos e papéis coloridos para reproduzir o que vira. O objetivo era mostrar às crianças como deveria ser o céu na noite do nascimento de Cristo. Nascia a árvore de Natal como a conhecemos, após a tradição se espalhar por toda Europa e, no início do século 19, chegar aos Estados Unidos.

A lenda conta também que o pinheiro foi escolhido por sua forma triangular, que de acordo com a tradição cristã, representa a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Enquanto isso, em rituais pagãos da Idade Média, as pessoas acreditavam em espíritos das árvores e, no outono, quando as folhas caíam, penduravam decorações de pedras pintadas ou panos coloridos para quem regressassem às plantas na primavera seguinte. Hoje, as árvores de Natal são enfeitadas no início de dezembro, só podendo ser desmontadas no dia de Reis, 6 de janeiro, quando os três Reis Magos presenteiam Jesus.



 Papai Noel

 Ainda no século 4, surgia o santo inspirador de Papai Noel, o arcebispo Nicolau Taumaturgo, que costumava ajudar, anonimamente, quem estivesse em dificuldades financeiras, colocando sacos com moedas de ouro na chaminé das casas. Foi declarado santo depois que muitos milagres lhe foram atribuídos e sua transformação em símbolo natalino aconteceu na Alemanha. Quem, no entanto, forjou a imagem popular do Papai Noel, juntamente com o trenó, as renas, a chaminé e o saco de brinquedos, foi o escritor americano Clement Moore no poema “The Night Before Christmas” (versão em inglês - abaixo da versão em português), de 1822. Impressa em jornais e revistas, a história do poema se espalhou como fogo e, hoje, quase todo norte-americano consegue recitar seus versos.

Já na revista Harper´s Weekly, uma série de gravuras de Thomas Nast, publicadas entre 1863 e 1886, consagrou a imagem do bom velhinho de vermelho e branco, que aparecia em sua fábrica lendo cartas e checando a lista de presentes. Teria sido uma campanha publicitária da Coca-Cola, porém, que terminou por fixar a versão gorda e alegre do personagem. A cada ano, entre 1931 e 1964, a empresa veiculava uma imagem de Papai Noel na contra capa da revista National Geographic.

Estudiosos reforçam também que a roupa vermelha e branca veio do verdadeiro São Nicolau, já que eram as cores dos mantos tradicionais dos bispos. E no caso da chaminé, muitos europeus teriam o costume de limpá-la no fim do ano para permitir que a boa sorte entrasse no ano seguinte, influenciando a lenda. São variadas as fontes que inspiram a tradição: as pequenas tendas da Finlândia, em formato de iglus e com a entrada feita por um buraco no telhado teriam inspirado ainda o poema de Moore. Já nos países do norte da Europa, diz a tradição que Papai Noel não vive propriamente no Pólo Norte, mas sim na Lapônia, mais propriamente na cidade de Rovaniemi, onde de fato existe o "escritório do Papai Noel" bem como o parque conhecido como "Santa Park", que se tornou uma atração turística do local.

Missa do galo e presépios

A missa do Galo é celebrada em países católicos depois do jantar da véspera de Natal que começa à meia-noite de 24 para 25 de dezembro. Seu nome consagra a lenda segundo a qual à meia-noite deste dia, um galo teria cantado, anunciando a vinda do Messias. Outra origem da expressão é associada ao fato da Missa de Natal terminar muito tarde "quando as pessoas voltavam para casa e os galos já estavam cantando". Hoje, devido à importância da missa, o próprio papa faz questão de rezá-la, enquanto todas velas do Advento se encontram acesas.

Passada a missa, tradicionalmente as famílias voltam para casa e colocam a imagem do menino Jesus no presépio, para só então compartilharem a ceia e a troca de presentes. Esta última, aliás, estaria relacionada aos presentes que os Reis Magos levaram à Jesus. Por fim, em todas as religiões cristãs é consensual que o presépio é o único símbolo de Natal verdadeiramente inspirado nos Evangelhos, quando São Francisco de Assis montou, em 1223, uma reprodução em palha da imagem do menino Jesus, da Virgem Maria e de José, com autorização do Papa. Desde então, famílias de diferentes culturas montam a representação da cena do nascimento em miniatura.

Tradições brasileiras

O Natal no Brasil é altamente caracterizado pela troca de presentes entre amigos e familiares na noite de 24 de dezembro. Independente da tradição da chaminé dos países frios, os brasileiros simulam a passagem do Papai Noel em cada casa com a entrega de presentes pela porta da frente, em geral à meia-noite, ou na árvore, depois de passar a madrugada. Também têm o hábito de presentear parentes e colegas de trabalho através do Amigo Secreto. Mas antes da festa católica incorporar os símbolos protestantes da distribuição de presentes, do Papai Noel e da árvore, o país era marcado por uma festa religiosa tradicional, com a ida à missa do galo e a ceia de jantar com a família, até fins do século 18.

Hoje, tradições tipicamente brasileiras são observadas principalmente nos pratos da ceia de 24 de dezembro. No meio da festa, uma mesa considerável costuma expor comidas típicas dessa época e é difícil encontrar uma sala de jantar sem peru com farofa, tender espetado com cerejas e rodelas de abacaxis ou panetone de frutas cristalizadas. Os costumes gastronômicos revelam uma mistura de culturas que parecem universais, mas já são adaptações bem brasileiras. Exemplo é a fusão da cultura portuguesa – vista na rabanada ou nos bolinhos de bacalhau – com a italiana – representada pelo panetone e as aves como o peru. Além do chester, uma ave que virou símbolo do natal brasileiro e a mesa com frutas tropicais.

Natal de Gramado e Coral de Curitiba

Há cerca de duas décadas, algumas celebrações natalinas vêm tomando o centro de cidades do sul do país, com a participação da população na representação das lendas tradicionais. É o caso do Natal de Gramado, que há 22 anos une as pessoas na construção de espetáculos durante todo o mês de dezembro, mudando a cara da cidade. São concertos, desfiles de personagens (papais noéis, gnomos, renas...), luzes enfeitando pinheiros e encenações, com mais de 2 mil pessoas envolvidas na montagem do evento que atrai turistas do Brasil e exterior.

Edison Vara/PressPhoto
Gramado vive há mais de 20 anos o Natal das Luzes

 Já em Curitiba, um dos eventos mais tradicionais é a apresentação do coral infantil, com 160 crianças carentes, a partir de 2 de dezembro, no Palácio Avenida, um dos marcos históricos da cidade. Com isso, Curitiba ficou conhecida como a “capital do Natal”, atraindo cerca de 300 mil pessoas nesta época, que vêm assistir às encenações associadas ao coral, em sua 17ª edição em 2007. 

Fonte:
Heloisa Ribeiro.  "HowStuffWorks - Como funciona o Natal".  Publicado em 03 de dezembro de 2007  (atualizado em 09 de dezembro de 2009) http://pessoas.hsw.uol.com.br/natal1.htm  (20 de novembro de 2013)

sábado, 17 de novembro de 2012

A história do Papai Noel e seus símbolos



Papai-Noel, árvore, ceia e presentes. Chega a época do Natal e começamos a ver tudo isso em todo o lugar (e de vez em quando ouvimos falar de um tal de Cristo). Mas qual é a origem de todos esses símbolos? E da festa - quando e por que surgiu a comemoração do Natal? Segundo Pedro Paulo Funari, professor de história e arqueologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a origem da comemoração e seus símbolos são muito mais pagãos que cristãos.

Por que 25 de dezembro?

Conforme Funari, o Natal é derivado de uma festa muito anterior ao cristianismo e ao calendário do ciclo solar. De acordo com o pesquisador, os pagãos comemoravam na época do solstício de inverno (o dia mais curto do ano e que, no hemisfério norte, ocorre no final de dezembro) porque os dias iriam começar a ficar mais longos. "É uma celebração que tem a ver com o calendário agrícola, originalmente. E, como todo calendário agrícola, ele está preocupado com a fertilidade do solo e a manutenção do ciclo da natureza", diz o professor.

Em Roma, essa data era associada ao deus Sol Invictus, já que após o dia mais curto do ano o sol volta a aparecer mais. Quanto ao cristianismo, a comemoração do nascimento de Jesus Cristo só começou a ocorrer no século IV, quando o imperador Constantino deu fim à perseguição contra essa religião. Os religiosos então usam a comemoração pagã e a revestem com simbolismo cristão. Curiosamente, afirma o pesquisador, no final do mesmo século, como a Igreja ganha poder, ela passa a perseguir os pagãos que comemoravam a festa da forma original.

Troca de presentes

Segundo Funari, a troca de presentes é um ato comum a todos os povos, independente do capitalismo, por exemplo, ou de religião. Esse ato, desse ponto de vista, é muito mais ligado ao reforço de laços sociais entre as pessoas. No cristianismo, a troca foi associada simbolicamente aos reis magos, que teriam dado presentes de Jesus - em alguns países, como na Espanha, é comum dar presentes apenas no Dia de Reis.

Contudo, durante o século XX, a festa foi perdendo muitas de suas características religiosas (mas não todas) e hoje se apresenta de forma muito mais comercial. "Desvencilhou-se bastante da imagem original (religiosa) para que pessoas, países e povos não cristãos, como os japoneses, também sejam incentivados a ter troca de presentes nesse período", diz Funari, que lembra que muitas pessoas que não são religiosas e até ateus participam de festas de Natal.

"Na propaganda dos presentes em si, não aparece o Cristo, o Jesus. Aparece lá 'compre uma TV moderna', 'compre um aparelho celular'. Na propaganda desses produtos não aparece essa caracterização religiosa. (...) Sabendo-se que as pessoas têm como princípio o estreitamento de vínculos sociais em geral e dentro da família em especial, o capitalismo explorou isso, digamos assim, ao extremo."

Originalmente, afirma o pesquisador, a troca de presentes não estava ligada à tradição do Natal, pelo menos não à festa original. "A troca de presentes na escala moderna é uma invenção do capitalismo."

Ceia

A comida de Natal, por outro lado, era comum nas primeiras festas. Na ceia natalina era comum a carne assada porque esses pratos eram considerados mais sofisticados, mais caros, e serviam melhor para uma situação especial. O porco, assim como o peixe, era uma das carnes mais comuns.

O peru foi introduzido apenas no século XVI. A ave é originária das Américas e se popularizou rapidamente na elite da Europa quando foi levada ao continente. Por ser mais caro, o peru virou a carne das grandes ocasiões.

Papai-Noel

Funari afirma que o homem chamado Nicolau que viveu na Antiguidade e que virou santo não tem nada a ver com o Papai-Noel, apesar de muitas versões dizerem isso. A figura tem origem em tradições germânicas e nórdicas. O protestantismo, que buscava um simbolismo diferente da comemoração católica - que enfatizava a figura do presépio - utilizou o personagem.

Já a imagem que conhecemos do Papai-Noel tem uma origem muito mais comercial. A figura de um velhinho com roupa vermelha e branca foi criada e difundida pela publicidade da Coca-Cola no século XIX. "A gente pode dizer que o Papai-Noel como a figura que a gente conhece é uma invenção da Coca-Cola e dos meios de comunicação de massa", diz o pesquisador. O papel da mídia, afirma Funari, foi difundir essa imagem. O cinema e outros meios trouxeram a imagem criada pelos publicitários ao Brasil.

"Se você for olhar os jornais brasileiros do início do século XX, no período do Natal, você encontrará referências ao presépio(...) não se fala em Papai-Noel", diz o pesquisador, que lembra que nos dias atuais o presépio praticamente sumiu dos meios de comunicação.

O pinheiro

A origem do pinheiro é bem parecida: era uma figura germânica e nórdica que foi absorvida pelo protestantismo. Aqui, a decoração chegou com influência principalmente do cinema - apesar de não ter tido um patrocínio de peso, como teve Papai-Noel. Para o pesquisador, os símbolos atuais do Natal foram tão importados quanto o Halloween, do qual muita gente reclama.








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